Candidato ao cargo de presidente do TJPR, desembargador Jucimar Novochadlo concede entrevista à AMAPAR
Rômulo Cardoso Sexta, 30 Outubro 2026

Candidato ao cargo de presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) para o biênio 2027/2028, o desembargador Jucimar Novochadlo concedeu uma entrevista à Associação dos Magistrados do Paraná (AMAPAR) e falou de suas propostas para o futuro da instituição. As eleições para formação da próxima cúpula diretiva da corte paranaense estão marcadas para o dia 9 de novembro. Confira!
AMAPAR - Quais foram os principais fatores que motivaram o senhor a se candidatar ao cargo de presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR)?
Desembargador Novochadlo - Depois de mais de 38 anos dedicados à magistratura, sendo 22 como desembargador, sinto que posso oferecer ao Tribunal a experiência acumulada ao longo de uma trajetória inteiramente construída na Justiça paranaense. Conheço a instituição, suas potencialidades, suas dificuldades e, sobretudo, as pessoas que fazem dela um Tribunal de excelência. Minha candidatura nasce da disposição de colocar essa experiência a serviço de um projeto coletivo, que valorize magistrados, magistradas, servidores e servidoras e fortaleça as condições necessárias para uma prestação jurisdicional cada vez mais eficiente.
Vivemos um momento de transformações importantes. As mudanças no regime remuneratório da magistratura, os avanços tecnológicos, a implantação do Eproc e as exigências crescentes sobre a atividade jurisdicional demandam uma gestão preparada, equilibrada e capaz de tomar decisões.
Acredito em uma Presidência próxima das pessoas, aberta ao diálogo, mas também comprometida com resultados. Tenho a convicção de que nenhuma conquista institucional é obra individual e de que administrar bem significa reconhecer talentos, ouvir as pessoas e oferecer condições para que desempenhem suas funções com excelência.
Não se trata de reinventar o Tribunal, mas de honrar e ampliar uma trajetória de conquistas, preservando aquilo que já fazemos bem e aperfeiçoando o que precisa avançar. É com esse espírito, de serenidade, firmeza e compromisso com a instituição, que apresento minha candidatura.
AMAPAR - A política remuneratória na carreira da magistratura ganhou novo contorno com a decisão do STF. Qual postura o senhor pretende adotar nesta pauta caso conquiste êxito nas eleições?
Desembargador Jucimar Novochadlo - A valorização da magistratura e a defesa de suas prerrogativas constituem compromissos centrais do meu programa de gestão. As mudanças no regime remuneratório exigem da Administração uma atuação tecnicamente qualificada, juridicamente segura e institucionalmente firme. Minha postura será de respeito às decisões do Supremo Tribunal Federal, sem abdicar da defesa dos direitos legitimamente assegurados à magistratura e da autonomia administrativa, financeira e orçamentária do Poder Judiciário.
Pretendo manter uma atuação articulada com a AMAPAR, a AMB e os órgãos nacionais do sistema de Justiça, buscando soluções que assegurem estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica.
Prezo por compartilhar com os colegas toda e qualquer informação de interesse da magistratura, com clareza, responsabilidade e tempestividade. Entendo que a informação não deve servir apenas para dar conhecimento das decisões administrativas, mas também para permitir que cada magistrado possa se organizar, fazer escolhas e planejar sua vida com segurança e previsibilidade. A transparência das informações será uma das tônicas da minha gestão. Por isso, uma das propostas concretas do meu programa é a Folha com Clareza Total, com atendimento pessoal especializado, demonstrativo individual e permanentemente atualizado dos créditos e passivos, possibilidade de simulação dos efeitos das regras vigentes e critérios objetivos para os pagamentos.
Também assumo o compromisso de conferir prioridade aos direitos já reconhecidos, observadas as disponibilidades orçamentárias e as normas aplicáveis. A magistratura precisa de uma Administração que não apenas a represente nas questões nacionais, mas que esteja preparada para orientar e atender cada magistrado em suas demandas concretas. Defender a magistratura significa defender suas prerrogativas, sua independência e as condições necessárias para o exercício digno da jurisdição.
AMAPAR - O ano de 2026 também ficou marcado pela implementação do EPROC no âmbito do TJPR e também temos, na área da tecnologia, a Inteligência Artificial sendo adotada no sistema de Justiça. O senhor tem projetos voltados ao uso da Inteligência Artificial e também na área da tecnologia?
Desembargador Jucimar Novochadlo - O Tribunal de Justiça do Paraná construiu, ao longo dos anos, uma trajetória de pioneirismo e excelência tecnológica. Meu compromisso é preservar esse patrimônio institucional e continuar avançando. Parto de uma premissa muito clara: a tecnologia deve estar a serviço das pessoas e da atividade jurisdicional. Não podemos permitir que ferramentas concebidas para facilitar o trabalho acabem criando novas dificuldades para magistrados e servidores.
Em relação ao Eproc, nossa prioridade será concluir a implantação com segurança, suporte permanente e atenção às dificuldades concretas enfrentadas pelos usuários. A migração não se encerra com a disponibilização do sistema. É preciso acompanhar a adaptação das rotinas, oferecer capacitação e assegurar que as unidades tenham condições de utilizar plenamente os recursos disponíveis.
Na área de inteligência artificial, o programa prevê a consolidação das ferramentas desenvolvidas pelo próprio Tribunal, com governança, segurança, transparência e supervisão humana. Queremos disponibilizar aos gabinetes uma assistente digital capaz de auxiliar na triagem de processos, na identificação de precedentes e na elaboração de minutas, além de utilizar soluções de inteligência artificial no apoio aos cálculos judiciais e à análise da distribuição dos recursos.
Outra iniciativa importante será a Ponte Digital, que prevê a presença de residentes técnicos em tecnologia da informação nos gabinetes e em núcleos regionais de apoio ao primeiro grau, aproximando o suporte tecnológico de quem efetivamente utiliza as ferramentas.
A inteligência artificial representa uma oportunidade extraordinária para melhorar a eficiência da Justiça, mas há um princípio do qual não abriremos mão: a tecnologia pode apoiar a decisão judicial, jamais substituir a responsabilidade e a independência de quem julga.
AMAPAR - Ao lado da EJUD-PR, a Escola da Magistratura do Paraná (EMAP) teve um papel de grande importância na implementação do sistema de processo eletrônico. A EMAP também desempenhou papel de relevância na questão da residência jurídica no âmbito do TJPR. No plano de gestão do senhor, a EMAP terá espaço e apoio da presidência do TJPR? Como a EMAP pode contribuir?
Desembargador Jucimar Novochadlo - Sem dúvida. Reconheço a importância da Escola da Magistratura do Paraná, sua trajetória de contribuição para a formação jurídica e o papel relevante que desempenha no aperfeiçoamento da Justiça paranaense. A EMAP encontrará na Presidência do Tribunal uma parceira permanente, em uma relação pautada pelo respeito à sua identidade, à sua autonomia e à sua independência institucional.
Meu programa de gestão atribui especial importância à formação continuada e ao desenvolvimento de competências, especialmente diante das transformações tecnológicas e das novas exigências da atividade jurisdicional.
Nesse contexto, considero que a EMAP pode contribuir significativamente, ao lado da EJUD-PR, em iniciativas de capacitação, na formação voltada ao uso do Eproc e da inteligência artificial e no aprimoramento dos programas de residência jurídica.
A residência jurídica, em especial, representa uma oportunidade importante de aproximação entre a formação acadêmica e a prática jurisdicional, contribuindo tanto para a qualificação de novos profissionais quanto para o funcionamento das unidades judiciárias.
Entendo que a cooperação entre instituições se fortalece quando há respeito às atribuições e às características próprias de cada uma. Não se trata de sobreposição de funções, mas de construção conjunta de soluções que atendam às necessidades da magistratura.
A EMAP possui história, conhecimento acumulado e capacidade de contribuição. Nossa intenção será manter uma interlocução aberta e produtiva, identificando projetos de interesse comum e oferecendo o apoio institucional possível à sua concretização. Acredito que investir na formação e no conhecimento é uma das maneiras mais consistentes de fortalecer o Poder Judiciário.
AMAPAR - Na visão do senhor, quais são as questões mais relevantes e que merecem incremento na estrutura de trabalho de juízas e juízes no 1º grau?
Desembargador Jucimar Novochadlo - O primeiro grau concentra uma parcela fundamental das demandas da sociedade e enfrenta desafios crescentes em relação ao volume e à complexidade dos processos. Por isso, considero indispensável que a Administração esteja atenta às condições concretas de trabalho dos juízes e juízas, tanto na capital quanto no interior.
Minha proposta está estruturada em três frentes principais: equipes adequadas, apoio administrativo eficiente e suporte tecnológico próximo e permanente.
Em primeiro lugar, precisamos avaliar objetivamente a estrutura dos gabinetes e a distribuição da força de trabalho, buscando o reforço das equipes e a valorização dos assessores, com observância dos critérios de proporcionalidade estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justiça.
O programa prevê que as iniciativas de fortalecimento dos gabinetes do segundo grau considerem, simultaneamente, seus reflexos no primeiro grau. A valorização institucional deve alcançar toda a magistratura.Em segundo lugar, pretendo criar o Núcleo de Atendimento e Apoio à Magistratura, destinado a oferecer orientação imediata e atendimento pessoal nas demandas administrativas. O magistrado não pode perder tempo percorrendo diferentes setores para encontrar uma informação ou solucionar uma questão funcional.
Na área tecnológica, teremos núcleos regionais de apoio, capacitação continuada e ferramentas de inteligência artificial para auxiliar nas rotinas de trabalho.
Também está prevista a implantação e a ampliação de Núcleos de Justiça 4.0 com competência flutuante, destinados a prestar apoio às unidades com maior congestionamento processual, a partir de critérios objetivos e informações fornecidas pelo Observatório do Acervo. Entendo, ainda, que o cuidado com a saúde física e mental da magistratura deve integrar permanentemente a política de gestão, com ações de prevenção ao esgotamento profissional e condições adequadas de trabalho.
O que pretendo é uma Administração que compreenda a realidade de cada unidade e ofereça respostas efetivas às suas necessidades.
A melhoria da prestação jurisdicional depende, necessariamente, da valorização e das condições de trabalho daqueles que têm a responsabilidade de realizá-la.
AMAPAR - Por fim, a AMAPAR, nos últimos anos, formulou mais de 70 requerimentos ao TJPR. Como o senhor espera conduzir o relacionamento com a AMAPAR e qual espaço a diretoria da entidade e representantes da entidade terão em comissões e demais questões voltadas à valorização da carreira da magistratura?
Desembargador Jucimar Novochadlo - Considero a AMAPAR uma instituição fundamental para a magistratura paranaense, tanto na defesa de direitos e prerrogativas quanto na construção de propostas voltadas ao aperfeiçoamento do Poder Judiciário. Minha relação com a associação será pautada por três princípios: respeito à sua independência, parceria institucional e diálogo permanente.
Entendo que uma magistratura forte precisa de uma associação forte, respeitada e independente. A independência da AMAPAR não é obstáculo à cooperação com a Administração do Tribunal. Ao contrário, é justamente essa independência que confere legitimidade à sua atuação e importância à sua representação.
Pretendo manter uma interlocução direta e frequente com a diretoria da associação, inclusive mediante reuniões periódicas, para conhecer suas propostas, acompanhar os temas de interesse da carreira e construir soluções sempre que possível. Quanto aos requerimentos apresentados, considero essencial estabelecer uma relação administrativa marcada pela transparência, pela celeridade e pela efetividade. As demandas da associação devem receber exame técnico, acompanhamento adequado e respostas fundamentadas, ainda que nem sempre seja possível acolhê-las.
Também vejo com bons olhos a participação de representantes da magistratura nas comissões e nos espaços institucionais que tratem de assuntos de interesse da carreira, respeitadas as competências legais e regimentais de cada órgão. Meu programa de gestão prevê um pacto permanente de escuta, com diálogo aberto e devolutivas sobre as questões apresentadas pelos colegas. A AMAPAR será uma interlocutora importante nesse processo. Acredito que o diálogo permanente com a AMAPAR permitirá aproximar as legítimas expectativas dos magistrados das possibilidades concretas da Administração, construindo soluções responsáveis, viáveis e capazes de produzir avanços efetivos para a carreira.
A Presidência do Tribunal e a AMAPAR possuem responsabilidades distintas, mas compartilham um objetivo essencial: o fortalecimento da magistratura e a preservação das condições necessárias ao exercício independente da jurisdição. É com esse espírito de parceria, respeito e confiança que pretendo conduzir nosso relacionamento.


