Juíza Camila de Britto Formolo traz dados expressivos e fala da oportunidade de atuar na Casa da Mulher Brasileira

Rômulo Cardoso Sexta, 21 Agosto 2026

Juíza Camila de Britto Formolo traz dados expressivos e fala da oportunidade de atuar na Casa da Mulher Brasileira

Ao celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha e o Agosto Lilás, a AMAPAR também destaca a primeira década de inauguração da Casa da Mulher Brasileira no Paraná. 

 

Juíza do 3º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Curitiba, Camila de Britto Formolo concedeu uma entrevista muito especial. Com detalhes e dados expressivos das demandas, a magistrada falou da importância de uma rede de proteção adequada às mulheres. “Efetivar a rede de proteção significa fazer com que a mulher não precise repetir sua história inúmeras vezes e que, quando procurar ajuda, encontre uma resposta coordenada, humanizada e efetiva”, apontou. 

 

Sobre a experiência de atuar nas instalações da Casa da Mulher Brasileira de Curitiba, Camila Formolo bateu na tecla, necessária, para que a magistratura e equipe tenham estrutura adequada no acolhimento e proteção às mulheres. “É um espaço que nos ensina, todos os dias, que a Justiça vai além da aplicação da lei: ela também envolve escuta, acolhimento, proteção e o compromisso de oferecer a cada mulher uma resposta justa e adequada à sua realidade”, afirma a magistrada.

 

Doutora Camila, como avalia o atual cenário da política de enfrentamento à violência doméstica e como efetivar ainda mais o papel da rede de proteção?

 

Eu avalio que houve avanços importantes na política de enfrentamento à violência doméstica, especialmente na compreensão de que a mulher não pode ser atendida de forma isolada por apenas uma instituição. A violência doméstica exige uma atuação integrada entre Justiça, segurança pública, assistência social, saúde e demais serviços.

 

Para fortalecer ainda mais essa rede, precisamos investir em comunicação entre os serviços, capacitação permanente dos profissionais, rapidez nos encaminhamentos e acompanhamento dos casos. Também é fundamental olhar para além da medida judicial, garantindo condições para que a mulher consiga romper o ciclo de violência e reconstruir sua vida com segurança e autonomia.

 

No fundo, efetivar a rede de proteção significa fazer com que a mulher não precise repetir sua história inúmeras vezes e que, quando procurar ajuda, encontre uma resposta coordenada, humanizada e efetiva.

 

Na condição de magistrada, quais os principais pontos que considera essenciais para dar a devida atenção e condução dos processos que envolvem casos de violência doméstica e familiar?

 

Na condução dos processos que envolvem violência doméstica e familiar, a celeridade, a avaliação adequada do risco e a efetividade das medidas protetivas são fundamentais. Nesses casos, o tempo é um fator muito importante, por isso o Judiciário precisa oferecer uma resposta rápida, mas sempre de forma responsável e atenta às particularidades de cada situação.

 

Também é fundamental que o risco seja constantemente reavaliado, porque a situação de violência pode se agravar ou se modificar ao longo do processo. As medidas protetivas precisam ser efetivas e adequadas à realidade daquela mulher.

 

Tendo uma estrutura como a Casa da Mulher Brasileira, a doutora acredita que o papel de acolhimento se torna mais efetivo? O espaço funciona como elemento no enfrentamento da violência. Enfim, como é atuar num espaço com tal estrutura?

 

Sim, sem dúvida. A Casa da Mulher Brasileira tem um papel muito importante porque oferece à mulher um espaço em que ela pode ser ouvida, acolhida e protegida. Muitas vezes, quando uma mulher chega até aqui, ela está vivendo um momento de muito medo, insegurança e fragilidade. Encontrar, em um mesmo lugar, profissionais e serviços preparados para ajudá-la faz uma grande diferença.

 

Atuar em um espaço com essa estrutura também permite uma atuação mais integrada e próxima da realidade de cada caso. É um ambiente que fortalece a rede de proteção e possibilita uma resposta mais rápida e humanizada, especialmente em situações que exigem atenção imediata.

 

Atuar na Casa da Mulher Brasileira é uma experiência que exige, acima de tudo, sensibilidade e responsabilidade. Cada mulher que chega até aqui traz uma história, muitas vezes marcada pelo medo, pela dor e pela insegurança. Por isso, é importante compreender que, por trás de cada processo, existe uma pessoa que precisa ser ouvida e protegida.

 

Ao mesmo tempo, sinto uma grande gratidão por poder exercer a magistratura em um espaço que permite uma atuação tão próxima e integrada. Saber que uma decisão, um atendimento ou uma orientação pode representar um passo importante para que aquela mulher se sinta mais segura e consiga reconstruir sua vida dá um significado muito especial ao nosso trabalho.

 

É um espaço que nos ensina, todos os dias, que a Justiça vai além da aplicação da lei: ela também envolve escuta, acolhimento, proteção e o compromisso de oferecer a cada mulher uma resposta justa e adequada à sua realidade.

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10 anos de Casa da Mulher Brasileira

 

A Casa da Mulher Brasileira foi inaugurada em junho de 2016 e, ao longo desses 10 anos de atuação, já realizou 142.245 atendimentos. Nesse período, também foram registrados 2.070 alojamentos de passagem para mulheres em situação de risco iminente e 82 acolhimentos de animais de estimação no Espaço Pet, um serviço pioneiro que permite que as mulheres sejam acolhidas sem precisar se separar de seus animais, que muitas vezes também fazem parte de sua rede de afeto e segurança.

 

Atualmente, Curitiba conta com mais de 5 mil medidas protetivas ativas, que tramitam no 3º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que integra a estrutura da Casa da Mulher Brasileira.

 

Ocorreu um aumento de 12,9% na distribuição de pedidos de medidas protetivas, quando comparados os primeiros semestres de 2025 e 2026.

 

 

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